quinta-feira, 13 de setembro de 2012

para penélope

não tenho tanto assunto que renda um livro.
aquilo que sinto cabe em bem poucas linhas, meus sentimentos passam agora por reduções -
diante do complexo, prefiro o simples. prefiro a textura do cru à palidez do cozido.
é como dizem, fico com os dedos, deixo escapar os anéis.


poucas vezes na vida fui serena. mas agora entendo que a leveza não vem de graça.
a solução para aquilo que pesa não é dividir em duas costas. melhor mesmo é deixar cair.
eu deixo o peso desabar -- desaba, desaba, desaba.
depois que caiu tudo, fico mais leve.

nunca entendi, tão pouco pude explicar, por qual razão um corpo magro como o meu sempre pesou tanto.
agora compreendo, o peso nunca veio da carne.
o problema está nossos ossos, os ossos feitos de chumbo que sustentavam o corpo delgado.

agora, quando tudo desaba, me visto de outra estrutura.
para combinar com a penugem, me firmo sob ossos pneumáticos.


e enquanto você não retorna de tróia,
passo a noite a desmanchar colchas de retalhos, para logo de manhã voltar a tecê-las com mãos firmes e carinhosas.