não tenho tanto assunto que renda um livro.
aquilo que sinto cabe em bem poucas linhas, meus sentimentos passam agora por reduções -
diante do complexo, prefiro o simples. prefiro a textura do cru à palidez do cozido.
é como dizem, fico com os dedos, deixo escapar os anéis.
poucas vezes na vida fui serena. mas agora entendo que a leveza não vem de graça.
a solução para aquilo que pesa não é dividir em duas costas. melhor mesmo é deixar cair.
eu deixo o peso desabar -- desaba, desaba, desaba.
depois que caiu tudo, fico mais leve.
nunca entendi, tão pouco pude explicar, por qual razão um corpo magro como o meu sempre pesou tanto.
agora compreendo, o peso nunca veio da carne.
o problema está nossos ossos, os ossos feitos de chumbo que sustentavam o corpo delgado.
agora, quando tudo desaba, me visto de outra estrutura.
para combinar com a penugem, me firmo sob ossos pneumáticos.
e enquanto você não retorna de tróia,
passo a noite a desmanchar colchas de retalhos, para logo de manhã voltar a tecê-las com mãos firmes e carinhosas.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
a compreensão do suicida
existem partes de mim que merecem morrer.
e eu desejo matá-las antes que elas matem a mim.
e eu desejo matá-las antes que elas matem a mim.
terça-feira, 12 de junho de 2012
oração pra santo antônio
se eu quero te ver bonito, qual é o sentido de procurar o feio em você?
a histeria é a forma mental que funciona como o negativo fotográfico:
captura o contrário de algo como o seu verdadeiro.
não sei como continuar o texto, só não quero finalizá-lo falando das perturbações nervosas advindas do útero.
prefiro falar de como você é bonito e de como me agrada te enxergar assim: você é tão bonito!
me esforço e encontro a porta de saída.
sinto dores musculares e saudades cordiais.
a histeria é a forma mental que funciona como o negativo fotográfico:
captura o contrário de algo como o seu verdadeiro.
não sei como continuar o texto, só não quero finalizá-lo falando das perturbações nervosas advindas do útero.
prefiro falar de como você é bonito e de como me agrada te enxergar assim: você é tão bonito!
me esforço e encontro a porta de saída.
sinto dores musculares e saudades cordiais.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
antisartreana
frequentemente tenho a experiência da não-existência.
eu deixo de existir e o mundo também.
sou a única não-pessoa que conhece o vazio.
estes são os dias do nada.
por entender melhor o que a metafísica desconhece, explico:
a ausência do tudo não é caótica, aqui há ordenamento possível.
não-existir doi um pouco.
.:.
eu deixo de existir e o mundo também.
sou a única não-pessoa que conhece o vazio.
estes são os dias do nada.
por entender melhor o que a metafísica desconhece, explico:
a ausência do tudo não é caótica, aqui há ordenamento possível.
não-existir doi um pouco.
.:.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
me olho e não entendo exatamente o que vejo. é como se eu fosse uma estranha desconhecida.
visitar o dentro-de-mim é como entrar uma casa antiga: sou repleta de arcaísmos.
os meus sentimentos usam espartilhos que eles já não suportam mais.
eu tenho sonhos leves como uma caixinha-de-música.
reconheço, eu sou uma mulher romântica.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
eu não sou um pulmão grande, por isso é impossível me tratar de asma.
eu sou gente, ando na precisança de tratar a alma.
.:.
eu sou uma mulher insone e de choro fácil, cultivo nas costas uma corcunda e um par de asas.
agulhas e phosphorus 30 devem resolver parte do problema.
quanto ao par de asas, o processo parece ser irreversível - eu, passarinho.
[imagino que no ar o peso da alma pese mais leve.]
eu sou gente, ando na precisança de tratar a alma.
.:.
eu sou uma mulher insone e de choro fácil, cultivo nas costas uma corcunda e um par de asas.
agulhas e phosphorus 30 devem resolver parte do problema.
quanto ao par de asas, o processo parece ser irreversível - eu, passarinho.
[imagino que no ar o peso da alma pese mais leve.]
terça-feira, 17 de abril de 2012
o registro da castração ou sobre a dor que o sapato novo deixou
até dias atrás eu falo falo falo falo falo falo falo falo falo.
hoje eu não falo mais.
da impossibilidade do falo nasceu o limite: até aqui sou eu, depois não sou eu mais.
o eu, calo.
eu calo.
hoje eu não falo mais.
da impossibilidade do falo nasceu o limite: até aqui sou eu, depois não sou eu mais.
o eu, calo.
eu calo.
segunda-feira, 19 de março de 2012
o útero era um ambiente mais parecido com o estômago.
a fertilidade dos ovários se confundiam com criatividade previsível de uma linha de montagem fordista.
- eu não poderia voltar para um lugar de onde nunca havia saído.
.:.
no preenchimento inédito desta grave lacuna ei de tornar meu coração mais leve.
.
[é possível que eu comece a dançar.
desta vez sem obrigação de ser feminina, mas apenas pelo gosto de me ver em movimento.]
a fertilidade dos ovários se confundiam com criatividade previsível de uma linha de montagem fordista.
- eu não poderia voltar para um lugar de onde nunca havia saído.
.:.
no preenchimento inédito desta grave lacuna ei de tornar meu coração mais leve.
.
[é possível que eu comece a dançar.
desta vez sem obrigação de ser feminina, mas apenas pelo gosto de me ver em movimento.]
sábado, 17 de março de 2012
sobre vibrações e graves lacunas
eu, sempre tão afeita a elas, percebi que palavras não preenchem lacunas.
preciso de algo que ressoe e ocupe o espaço vazio.
para tanto é preciso vibrar: por favor, cordas e tambores.
preciso de algo que ressoe e ocupe o espaço vazio.
para tanto é preciso vibrar: por favor, cordas e tambores.
domingo, 11 de março de 2012
sobre auto-crítica e internalidades
as minhas esquisitices me causam mais espanto e náusea do que as que vejo no mundo.
neste momento de uma reflexão egocentrada, o maior mistério que minha mente (tão acostumada à conveniências e facilidades) percebe sou eu mesma.
eu sou uma esfinge autocanibal.
neste momento de uma reflexão egocentrada, o maior mistério que minha mente (tão acostumada à conveniências e facilidades) percebe sou eu mesma.
eu sou uma esfinge autocanibal.
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